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segunda-feira, 21 de maio de 2012

MARCO AURÉLIO SOUZA, REPÓRTER DA GLOBO, CHAMA HERRERA DE BABACA NO TWITTER

MARCO AURÉLIO SOUZA: O "TOLERANTE¨"

O repórter Marco Aurélio Souza, da Sportv/Globo, chamou de “babaca” o argentino Herrera, atacante do Botafogo, pela recusa em pedir música para o Fantástico pelos três gols que fez na vitória deste domingo (20) sobre o São Paulo.

O jornalista expressou sua “opinião” sobre o jogador através da sua conta no Twitter.



A “normalidade” e o “humor” exaltados pelo profissional não o fizeram ter tolerância suficiente para se abster de xingar o atleta.

Cada um pode julgar como quiser a atitude do Herrera. Eu achei um gesto sensacional, pelo simbolismo que representa, o que expliquei aqui.

A assoberbada emissora do Jardim Botânico não costuma ouvir não como resposta a qualquer pedido. Quando ocorre, muita gente por lá fica descontente, para dizer o mínimo. A primeira manifestação do incômodo partiu do repórter.

Nem acho a história do “artilheiro musical” uma babaquice como tantas outras da Globo, tal qual o quadro “inacreditável futebol clube”, que é absolutamente ridículo.

Daí a ofender o sujeito que se recusou a participar da brincadeira… é babaquice pura!

Vinda de um profissional do jornalismo é pior ainda. Imaginem se o Herrera, numa entrevista ao vivo, chama o seu entrevistador de babaca, apenas por não gostar do sujeito…

Curioso é ver tal atitude partir de alguém que, em tese, deveria promover a tolerância, sobretudo por trabalhar no esporte, ainda mais no futebol, um fenômeno social que gera tanta paixão, mas não deixa de contribuir com sua cota de tragédias sociais, especialmente quando a violência entra em jogo. 


Como diria um outro cronista esportivo, “que desagradável”.

O "BABACA",  SEGUNDO O GLOBAL
Nessas horas é bom lembrar que a arrogância é irmã da soberba e prima da prepotência.

[Atualização: Mal cliquei no botão "publicar" aqui e fui informado que o dito cujo apagou o que escreveu. Curioso que, após xingar o jogador do Botafogo, o repórter ainda escreveu, também no seu microblog: "No meu twitter, escrevo o que bem entender."]



Comentário deste blog:

"Lamentável, exatamente como a TV Globo!!!"


PS: Caros leitores, resolvi postar o vídeo com a entrevista do Herrera: 

MMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM
Depois de ver Herrera 3 x 0 TV Globo, vamos rever os gols da goleada alvinegra: Botafogo 4 x 2 São Paulo MMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM 
MMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM

quinta-feira, 3 de maio de 2012

PREZADO AMIGO AFONSINHO

MARCO: AO LUTAR PELO PASSE LIVRE EM PLENA DITADURA, ELE MOSTROU QUE O JOGADOR DE FUTEBOL NÃO ERA UMA SIMPLES MERCADORIA







buscado no Carta Capital

por Francisco Alves Filho

3 de maio de 2012


Para quem se inspira no futebol atual, coalhado de craques tão milionários quanto alienados, pode ser incompreensível a trajetória do ex-jogador Afonso Celso Garcia Reis, o Afonsinho. Apesar do estilo de jogo refinado e toque de bola impecável exibidos em grandes clubes brasileiros (Botafogo, Flamengo, Fluminense e Santos, entre outros), Afonsinho ficou conhecido por ter sido o pioneiro na luta pelo passe livre. Isso em pleno ano de 1971, com a ditadura a todo vapor. No Botafogo, primeiro liderou os companheiros de time em uma campanha pelo pagamento de prêmios atrasados. Algum tempo depois, foi impedido pela diretoria alvinegra de jogar enquanto mantivesse o visual “subversivo”: cabelo comprido e barba. Indignado com a arbitrariedade, entrou na Justiça em busca do passe livre. E ganhou. Sua atitude abriu caminho para outros jogadores lutarem por direitos trabalhistas e mereceu de Gilberto Gil a música Meio de Campo (Prezado Amigo Afonsinho, eu continuo aqui mesmo…, diz a primeira frase). A partir de maio, Afonsinho assumirá a coluna Pênalti em -CartaCapital, espaço ocupado por mais de uma década por Sócrates, morto em dezembro passado. Há muita semelhança entre os dois craques: ambos cursaram Medicina, eram amigos e usaram o futebol como instrumento de defesa da cidadania. “Sócrates tinha posições bem claras. Sou mais intuitivo”, compara o ex-jogador de 65 anos, que se diz profundamente honrado em substituir o “Doutor” nas -páginas da revista.

CartaCapital: É possível fazer uma relação entre o seu jeito de escrever e aquele do Sócrates?
Afonsinho: O Sócrates -rapidamente chegava a uma apreciação -profunda, parece que via em raio X. Em todos os momentos da vida se mostrava bem definido, como seu estilo de jogo. O futebol dele era retilíneo, até o corpo tinha ângulos agudos. Tanto no campo quanto na vida, Sócrates tinha posições bem claras. Eu sou mais sensível que inteligente, sou mais de sacar -coisas do que aprofundar um -raciocínio, mais intuitivo.

CC: Acompanhou de perto a Democracia Corintiana?
Afonsinho: Sim. Foi um movimento vitorioso também dentro de campo. Então, ninguém pode contestar. No futebol, o resultado é determinante. Quando se ganha, muita coisa errada passa e na derrota mesmo o que está certo vai por água abaixo. Ficou provado: é possível organizar os jogadores de forma diferente e ganhar os jogos. Foi um marco, algo extraordinário não só para o futebol, mas também para a sociedade.

CC: Há um paralelo entre a Democracia Corintiana e a sua luta pelo passe livre?
Afonsinho: A minha atitude em relação ao passe tinha a ver com a situação política do momento. Aquelas discussões tiveram importância porque era tudo fechado, então foi uma oportunidade de se abrir um espaço de debate. Aquilo tomou um vulto muito grande. Chegou ao ponto de as dondocas da sociedade discutirem o que achavam de um jogador usar barba e cabelo grande.

CC: O senhor já tinha participação política, não é?
Afonsinho: Estava na faculdade de Medicina quando o estudante Edson Luiz foi morto. Participei da missa dele. Sempre tive atuação política. Cheguei a participar de uma reunião onde foi discutida abertamente a possibilidade de entrar para a luta armada. Não fui porque eu e alguns outros não tínhamos a menor condição prática de entrar numa dessas.

CC: Como a ditadura mexeu com o futebol?
Afonsinho: O Brasil ganhou a Copa de 70 e depois ficou 24 anos sem ser campeão mundial. Há quem atribua a Jules Rimet ao regime. Para mim, aquela Copa é uma vitória da geração de 58 e 62, a própria formação dos jogadores foi baseada nessas equipes. Ninguém comenta o jejum de mais de duas décadas como consequência da ditadura.

CC: O modelo da CBF ainda tem muito da antiga CBD, não?
Afonsinho: É uma coisa terrível, porque a organização do futebol é medieval. O sistema de ligas, federações e confederações é estruturado dessa forma anacrônica. Isso persiste. Na federação mineira era o coronel Guilherme. Ele saiu ficou o filho. Na Paraíba, saiu o coronel de lá e ficou a mulher. Continua assim.

CC: O que acha do futebol ter se tornado um meganegócio em todo o mundo?
Afonsinho: O volume de dinheiro explodiu, mas à medida que injetam mais recursos no futebol, o espetáculo empobrece. Independentemente do tipo de organização, o clube é a razão de ser, pelos torcedores que mobiliza. Se o cartola vende a camisa de um clube para uma determinada marca, é o torcedor sendo visto como consumidor. E qual a participação dele quando se decide o horário dos jogos, qual emissora vai transmitir, qual a cor da bola? Quando o dirigente vende a transmissão ou a camisa para uma marca de fabricante, está negociando o torcedor. E o cara não tem nenhuma participação ativa nisso.

CC: Isso atrapalhou a essência do esporte?
Afonsinho: A relação dos jogadores com a bola hoje é diferente. O Flamengo passou dez jogos sem vencer uma partida, era como se não estivesse acontecendo nada. No Palmeiras a mesma coisa. Eles parecem não ter mais relação com o jogo em si. É o espírito do neoliberalismo transportado para o campo. Cada atleta é uma empresa, tem relações públicas, administrador… Uma coisa fria. Não se relacionam bem. E a coisa mais linda que existe no futebol é a relação dos jogadores entre si. A maneira como fui tratado por craques como Didi, Nilton Santos, Zizinho, era uma coisa de igual para igual.

CC: O Brasil vai conseguir realizar uma boa Copa em 2014?
Afonsinho: É um momento propício a mutretas. É assim: você aceita as regras e tem a Copa, ou não aceita e não tem a Copa. Optou-se por fazer. O Lula apostou nisso. É preciso então encarar de frente, aprofundar a fiscalização. Essa é uma oportunidade de ter alguns avanços na infraestrutura aeroportuária, transportes. Acho que, obrigatoriamente, vai se melhorar alguma coisa.

CC: E a Seleção Brasileira? Tem chances?
Afonsinho: O Brasil sempre faz um bom time, mas até agora não há nada que justifique grande animação. Dois anos para fazermos uma Seleção de verdade é muito pouco. O que eles fizeram? Por dois anos usaram a Seleção para mostrar, valorizar, negociar jogadores. Foram dois anos de esculhambação, não havia ideia de time para ganhar a Copa. Era algo deliberado. A CBF tem essa estratégia de negócios mesmo, porteira escancarada.

CC: E o Mano Menezes, o que acha dele?
Afonsinho: Ele não foi colocado lá para ficar. Assim como o Dunga também não foi colocado para ficar, mas acabou complicando por ter conquistado a Copa das Confederações. Depois, o ciclo se completou mal.

CC: O que o leitor de CartaCapital pode esperar de suas colunas?
Afonsinho: Posso dizer que vou me colocar de coração, mas vou levar a racionalidade até onde conseguir. Vou manter minha linha mestra de vida: ser coerente.

O documentário Passe Livre discute, entre outros, a importância de Afonsinho para o futebol:


  MMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM

Fonte: Jader Resende


segunda-feira, 30 de abril de 2012

SOY LOCO POR TI BOTAFOGO !!!

Ilustração Digital de minha autoria baseada em foto do Google Imagens, 
do fotógrafo Gilvan de Souza
Exibição impecável! O perigoso e talentoso meio de campo e o ataque do Vasco foram imobilizados. A nossa defesa e o nosso meio de campo deram uma show de seriedade, de garra e competência. O genial Felipe do Vasco nada pode fazer. Quem brilhou foi o nosso Fillype, o Gabriel que deu uma aula de futebol. Incansável até sair por exaustão. Todos foram gloriosamente maravilhosos!


Que bela partida fizemos. O Botafogo de ontem, chegou a me lembrar 61,62,67 e 68, com os nossos contra-ataques mortais. O futebol de Marcio Azevedo está sobrando, Maicosuel voltou a ser o "Mago", Loco voltou a se o "Loco",
Fábio Ferreira, com aqueles penteados malucos, loucos, deixou o Loco na cara do gol. E o passe que o Antonio Carlos deu quando cobrou a falta lá da nossa intermediária, foi coisa de um Mestre, de um Didi ou de um Gerson, deixando o "Mago" cara a cara com o Fernando Prass no terceiro gol.


Parabéns Oswaldo de Oliveira, por este Botafogo que você está montando! Estamos crescendo a cada jogo.


O Fluminense é um forte adversário. Tem um time e um técnico excelentes. Não será fácil vencê-los. Mas, quem sabe, em 2012 conquistaremos mais um campeonato carioca! 


Que os nossos Deuses nos protejam !!!


Maurício Porto
Planeta Santa Teresa, 30 de abril de 2012.  
     

sexta-feira, 27 de abril de 2012

HELENOS, NÓS BOTAFOGUENSES SOMOS!




Sem palavras, apenas emoção, arrepio e lágrimas ao ver este Trailer. Imaginem eu vendo o filme. Sou louco pelo Botafogo. Sou um Heleno, sou um Heleno de Freitas quando vejo aquela camisa alvinegra listrada e aquele escudo. Meu Deus! Aquele escudo! Quero morrer vendo o meu Botafogo! De preferência, após termos sido campeões ou se estivermos vencendo. Pouco me importa também se estivermos perdendo. Estarei lá, sempre sonhando com impossíveis viradas. O jogo como a vida, só acaba no Apito Final. Assim, minha mulher, meus filhos, quatro botafoguenses, meus irmãos, meus amigos, todos dirão... Maurício?... ele morreu feliz !!!  


Maurício Porto
Planeta Santa Teresa, 27 de abril de 2012.


Em Memória de Heleno de Freitas e de todos os jogadores e torcedores do Botafogo de Futebol e Regatas que partiram.


Em Memória dos meus queridíssimos tios Júlio e Nenê, que desde de 1948 me levavam aos jogos do Botafogo.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

MILLÔR E SUAS FRASES

Por Richard Jakubaszko
11 de abril de 2012

Millôr Fernandes deixou frases e aforismos antológicos, a maioria publicados pela mídia. No quadro abaixo, que recolhi na internet, estão algumas das mais famosas.


Fonte: Richard Jakubaszko 



domingo, 1 de abril de 2012

DESENREDO - SAUDADES DE MINAS / OBRA-PRIMA DE DORI CAYMMI E PAULO CESAR PINHEIRO.

DORI CAYMMI E PAULO CESAR PINHEIRO


Desenredo - Saudades de Minas de Dori Caymmi e Paulo Cesar Pinheiro, na interpretação de Edu Lobo e Dori.


Por toda terra que passo me espanta tudo que vejo
A morte tece seu fio de vida feita ao avesso
O olhar que prende anda solto
O olhar que solta anda preso
Mas quando eu chego eu me enredo
Nas tramas do teu desejo
O mundo todo marcado a ferro, fogo e desprezo
A vida é o fio do tempo, a morte é o fim do novelo
O olhar que assusta anda solto
O olhar que avisa anda preso
Mas quando eu chego eu me enrosco
Nas tranças do teu segredo
Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou

Vou-me embora pra bem longe...
Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou
Vou-me embora pra bem longe... 
A cera da vela queimando, 

o homem fazendo o seu preço
A morte que a vida anda armando, 

a vida que a morte anda tendo
O olhar mais fraco anda afoito
O olhar mais forte, indefeso
Mas quando eu chego eu me perco
Nas cordas do teu cabelo
Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou
Vou-me embora pra bem longe...

Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou
Vou-me embora pra bem longe...
Vou-me embora pra bem longe...
Vou-me embora pra bem longe...


sexta-feira, 30 de março de 2012

CARTIER-BRESSON, FOTÓGRAFO E ANARQUISTA - POR ANA

HENRI CARTIER-BRESSON / FOTO DE ARA GÜLLER


30 de março de 2012


“O anarquismo é, acima de tudo, uma ética e, como tal, mantêm-se intacta. O mundo mudou, mas não o conceito libertário, o desafio frente todos os poderes. Com isso, conseguiu se liberar do falso problema da celebridade. Ser um fotógrafo conhecido é uma forma de poder e eu não o desejo” (Henri Cartier-Bresson, 1998).

Alguém disse algo parecido como onde tivermos que lutar por dignidade, haveria um anarquista. Esta reflexão do grande fotógrafo francês, libertário até o fim de sua longa e lúcida vida, é um exemplo. Cartier-Bresson esteve na Espanha durante a República, e voltaria várias vezes, identificando-se com os anarquistas espanhóis e reivindicando a anarquia como um sentido ético para a vida. 



Nunca abandonou seu compromisso social em sua turnê pela Europa, Ásia, África e América Latina, deixando para a posteridade numerosos momentos históricos e retratos de personagens, graças à sua Leica e sua objetiva de 50 mm. Não é tão conhecido por seu trabalho para o cinema, durante a década de 30, com Paul Strand nos Estados Unidos e com Jean Renoir na França. 


Sua primeira vocação, no entanto, seria a pintura e o desenho, considerando o surrealismo como uma forma subversiva que casava bem com suas ideias libertárias. É início dos anos 30 quando se fascina pela fotografia, mas nunca abandonaria sua “paixão privada” pelo surrealismo e seu amor pelo desenho, dedicando seus últimos anos para este lado e deixando muitos nus femininos feitos em carvão (curiosamente, este interesse artístico é muito diferente de sua fotografia). De fato, tinha um grande interesse em fotografia a pintores como Matisse - com quem teve uma grande amizade - Braque, Giacometti, Bonnard, Bacon e muitos outros.

Cartier-Bresson se tornou anarquista muito jovem, ao descobrir mundos diferentes ao das civilizações judaico-cristãs e muçulmanas. Diante da inanidade presente em um mundo onde a tecnologia permite uma corrida contínua de imagens, reivindicou sempre a sensibilidade do olho do artista. 



Curiosamente, e apesar de considerado um dos pais do fotojornalismo e de possuir um inegável compromisso com o social, se distância da obra de outro grande fotógrafo como Sebastião Salgado. Cartier-Bresson acreditava que o trabalho de Salgado não foi concebido pelo olho de um pintor, mas pelo de um sociólogo, economista e ativista; apesar de respeitar muito o seu trabalho, acreditava que o brasileiro colocava um “aspecto messiânico” que a ele mesmo era estranho. Em uma ocasião, rejeitou o trabalho documental e jornalístico, pois considerava “extremamente chato”, algo que o próprio Robert Capa o repreendeu, aconselhando-o a se afastar de suas origens surrealistas, coisa que Cartier-Bresson parece ter feito apenas publicamente. 


Em qualquer caso, parece que o fotógrafo francês nunca se considerou um repórter e reivindicou sempre sua subjetividade artística: “Quando vou a algum lugar, tento fazer uma foto que resuma uma situação que encante, que atraia o olhar e tenha um bom relacionamento de formas, que para mim é essencial. Um prazer visual”. Pode se dizer que o fotojornalismo, considerado como mera acumulação e registros de fatos, é para Cartier-Bresson o caminho para lugar nenhum; a coisa verdadeiramente interessante é o ponto de vista a ser tomado sobre esses fatos, e a fotografia deve ser considerada como um re-evocação desses eventos. Além disso, não mais trabalhava para agências de publicidade, já que se manteve firme em sua crítica à sociedade de consumo desenvolvida desde a década de 60 do século XX. Sempre manteve até o fim sua rebeldia e encontrou mais motivos para alimentá-la com o surgimento da tecno-ciência, que ele considerava um verdadeiro monstro, e com a falácia do “conflito de gerações”; Cartier-Bresson reivindicava uma humanidade unida pela solidariedade, valor fundamental com o qual se encontrou uma e outra vez durante toda a sua turbulenta e longa vida, independentemente da sua idade ou condição.

Vejamos as palavras do próprio Cartier-Bresson sobre a atividade fotográfica: “Para mim, a fotografia é o reconhecimento simultâneo em uma fração de segundo do significado de um evento e a organização das formas que lhe dão seu próprio caráter”. O ser humano deve encontrar um equilíbrio entre sua vida interior e o mundo ao seu redor, buscando a influência recíproca e até mesmo considerar, finalmente, o resultado de um único mundo que reúne subjetividade e objetividade. Como visto, o fotógrafo francês rejeitava o sucesso e até mesmo o reconhecimento, mas queria transmitir algo às pessoas e saber, ao mesmo tempo, que era bem recebido.

Capi Vidal

Fonte: Tierra y Libertad – março de 2012, Espanha


Puxadinho do Jader



Henri Cartier-Bresson (22 de agosto de 1908, Chanteloup-en-Brie, França / 2 de agosto de 2004, Cereste, França)













Fonte: Jader Resende



quarta-feira, 28 de março de 2012

MILLÔR (1924 - 2012)

FOTO DE HOJE DO SITE DE MILLÔR FERNANDES: OS ÓCULOS DE MILLÔR 

Caros leitores,


Vejam neste blog, na minha lista de blogs e sites que eu sigo, quem está em primeiro lugar.


Tive o imenso prazer de conhecer Millôr Fernandes, com vinte anos apenas. 
O que eu poderia lhes contar sobre a nossa passageira amizade é nada perto da sua monumental e infinita genialidade.


Outro Millôr é Impossível !!! Com a partida de Millôr ontem, dia 27 de março de 2012, o Brasil perdeu um Gênio e tão poucos são por aqui atualmente. Certamente, o nosso país amanheceu muito menor hoje. 


Em memória de Millôr Fernandes.
Planeta Santa Teresa, 28 de março de 2012.


Maurício Porto.



BEATRIZ DE EDU LOBO E CHICO BUARQUE, NA INTERPRETAÇÃO GENIAL DE ANDRE MEHMARI

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

MINH'ALMA LUSO-BRASILEIRA



Retalhos


Adoro e tenho um imenso carinho
pelo povo português!
Portugal é minha segunda Pátria!
Tenho por sobrenome Porto
e meu pai chamava-se
Nelson de Magalhães Porto.
Portanto, corre inequivocamente 
em minhas artérias e veias
o sangue luso, e disto 
muito me orgulho!


Em meus sonhos, alegrias, tristezas
e em todos os recantos de minh'alma
está sempre Fernando Pessoa.
Tenho a alegria dos cariocas,
dos brasileiros, mas guardo
bem escondido em meu peito
uma certa tristeza e uma solidão
que, de tanto senti-las,
trato-as como se amigas fossem
e me pergunto se não são elas
retalhos longínquos do meu ser lusitano.


Maurício Porto,
Planeta Santa Teresa, 20 de fevereiro de 2012.

Do meu livro: Ladeiras do Silêncio


Texto adaptado de uma resposta que escrevi hoje para um comentário da minha amiga virtual Fada do Bosque, dos excelentes blogs Guerra Silenciosa e Oficina do Bosque. Uma Fada portuguesa com certeza!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

SÃO SEBASTIÃO DO MESTRE MESSIAS

Mestre Messias / Foto - Romildo Guerrante


Enviado por MicaMixArt em 19/01/2012


Slideshow com fotos de Ricardo Beliel e pintura e música tema "São Sebastião", do CD "Retrato de um Violeiro", de Mestre Messias. Uma produção tuhumusic, Rio de Janeiro

Caros leitores,


Hoje, 20 de janeiro, é dia de São Sebastião o padroeiro da encantada cidade do Rio de Janeiro. 


Para homenagear a minha cidade amada e o nosso Santo, escolhi esta beleza de composição de Mestre Messias, uma Santa Pessoa, um Anjo que aqui pousou em Santa Teresa.


Com seu sorriso e simpatia, sua bondade, sua extrema sabedoria e humildade, a todos nós que aqui moramos, Mestre Messias conquistou.


Um naif na pintura porém, nada ingênuo nas letras de suas belíssimas melodias. Um Mestre Violeiro, um Mestre da Vida que Cataguases, nas Minas Gerais, nos deu de presente.


Em fevereiro de 2011, Mestre Messias partiu. Santa Teresa inteira chorou. 
Em nossos corações ele estará para sempre, hoje e sempre, pois um dia todos nós o encontraremos novamente.


Em memória de Mestre Messias,
meu grande amigo.


Paneta Santa Teresa, 20 de janeiro de 2012.


Maurício Porto.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

sábado, 31 de dezembro de 2011

OUÇAM O QUE O GENIAL KEITH JARRETT FEZ COM "ALL THE THINGS YOU ARE" !

KEITH JARRETT .
O MAIOR PIANISTA DA TERRA


All the things you are (Jerome Kern) 


Keith Jarrett (piano)
Gary Peacock (baixo)
Jack DeJohnette (bateria)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

INÚTIL PAISAGEM NO MEU PIANO

FOTO / TERESA SOUZA

Inútil Paisagem / Tom Jobim e Aloysio de Oliveira


Piano / Maurício Porto


Foto / Teresa Souza


Em memória de meu bisavô 
Joaquim de Magalhães, petropolitano,
pai de Carlota de Magalhães minha avó baiana,
mãe de meu pai Nelson de Magalhães Porto,
pernambucano de Caruaru.


Joaquim de Magalhães, foi funcionário dos Correios e Telégrafos. Quando se aposentou, realizou seu sonho, foi ser pianista de cinema mudo em Caruaru. 
Bendita herança meu Bivô !!!


Maurício Porto, Planeta Santa Teresa, 28 de dezembro de 2011.


PS: Teresa Souza é jornalista, fotógrafa, uma cronista de primeira, uma mulher muito bacana, uma simpatia só. Seu blog é maravilhoso e está aí nos meus favoritos. Teresa sabe tudo de bom do que acontece no Rio: cinema, teatro, shows, exposições, lançamentos de livros...e muitas coisas mais. 
Recomendo seu blog pra todo mundo que eu conheço e aqui vai o endereço: http://orioqueeupiso.blogspot.com

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

KEITH JARRETT TRIO / MY FUNNY VALENTINE

KEITH JARRET / JACK DEJOHNETTE / GARY PEACOCK
FOTO / ROSE ANNE JARRETT
FRASE / MAURÍCIO PORTO

Caros leitores,


Com vocês o "Keith Jarrett Trio" em "My Funny Valentine".



Enviado por cgiovacc em 02/01/2009

Keith Jarrett Piano
Gary Peacock Double Bass
Jack DeJohnette Drums

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

ROMPENDO O MEU SILÊNCIO, TOCO PIANO

I Fall in Love Too Easily (Improviso) / Música de Jule Styne
Fotos / Maurício Porto


Para Bety, minha companheira,
que sempre me acreditou pianista !


Para Aloysio Neves, meu Mestre. 
Mestre da Música
e sobretudo Mestre da Vida !


Maurício Porto,
Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 2011


PS: A citação, no improviso, ao samba "Não me diga adeus" foi proposital, porque adoro este samba do carnaval de 1948 (Obra-prima de Luiz Soberano, Paquito e João Correia da Silva) e principalmente porque eu estou em busca de um improviso brasileiro.


  

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

PAPO DE SABIÁS

TOM JOBIM


As ladeiras como sempre,
sabiamente, permanecem em silêncio.
O casal de sabiás que mora na mangueira
do jardim da minha casa, 
para de cantar e fica quietinho.
Os pássaros da vizinhança,
mesmo os insuportáveis pombos, silenciam.
Os outros passarinhos sabem tudo,
nasceram músicos, eles também emudecem. 
Outros invasores pássaros
que volta e meia por aqui aparecem,
barulhentos, desengonçados,
meio-humanos, maritacas e tucanos,
por pura imitação também calam o bico. 
Todos, todos, silenciam paradinhos
como enfeites de cera pintada 
de árvores de natal de antigamente, 
iluminadas por velinhas,
daquelas fininhas,
coloridas de dezembros. 
Nada de pisca-pisca
de histéricas, neuróticas
e elétricas lampadinhas. 
Eu juro, eles sábios
passarinhos nem piscam, 
somente ouvem o sofisticado 
e encantado piano de Keith Jarrett.
Num quase impossível
silêncio desses naturalmente
iluminados serezinhos voadores
e afinados cantores,
o casal de sabiás se entreolha 
e começa a conversar
baixinho, para os outros não ouvirem.
Falam com os olhinhos apenas,
num inaudível dialogo.
Coisa de passarinho.  
Eu, imóvel, estátua,
quase etéreo, me torno invisível
na porta da varanda da minha casa.
Emocionado pude ouvi-los,
acreditem vocês ou não.
A sabiá disse: - O Maurício parou de tocar
e agora está ouvindo o Keith Jarrett. 
Que piano bonito, meu Passarinho Deus!
Seu companheiro lembrou: 
- É...faz tempo que ele não ouve
Tom, Edu, Chico, Villa-Lobos...
- Você até parece que não conhece ele.
Ele adora jazz, mas ele gosta mesmo
é do Tom, do Edu, do Chico...
e de todos os outros que ele chama de gênios.
Ele é assim...isto é apenas uma fase...
daqui a pouco, fique tranquilo,
ele retoma o seu caminho...
ele é louco pela música brasileira.
Eu também...tô com muita saudade 
de ouvir o Chico e o Tom.
- Pudera, eles fizeram uma
música tão bacana pra você, não é?
- Puxa! você falou igualzinho ao Tom.
Ele gostava de falar "bacana, não é?"
- É...o Tom gostava de falar bacana,
porque ele sempre foi bacana.
E o Vinícius, hein?...que cara legal!
Às vezes eu penso...
que bom seria para eles humanos,
"Se todos fossem iguais a Vinícius e Tom",
mesmo que impossível, 
mas que ao menos tentassem.
Os humanos deveriam 
ser mais passarinhos
do que humanos...o mundo seria muito melhor.
Chego mesmo a desejar que todos eles
nascessem passarinhos.
A sabiá sorri e corrige o seu companheiro:
- Passarinhos não... Passarim.


Em memória de Tom Jobim,
o cara mais bacana
que nasceu na Terra.
O único ser humano que nasceu Passarim!




Maurício Porto,
Rio de janeiro, 1 de dezembro de 2011.
Do meu livro: Ladeiras do Silêncio


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

WHEN I FALL IN LOVE - KEITH JARRETT TRIO - LIVE IN TOKYO

JACK DEJOHNETTE / KEITH JARRET / GARY PEACOCK

Enviado por moom1000 em 19/02/2010

Standards II
Live in Tokyo, Japan 1986

Keith Jarrett - Piano
Gary Peacock - Bass
Jack DeJohnette - Drums


Maurício Porto, 
Rio de Janeiro, 28 de novembro de 2011.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

KEITH JARRETT TRIO / STELLA BY STARLIGHT

GARY PEACOCK / KEITH JARRETT / JACK DEJOHNEETE









Enviado por sheiruu1 em 19/07/2011

Keith Jarrett(p) Gary Peacock(b) Jack DeJohnette(ds) - 1985

EU E O FACEBOOK - 001

A MINHA FOTO NO FACEBOOK


Eu moro NO Rio de Janeiro !!! Jamais, em tempo algum morei EM Rio de Janeiro, seus americanos IDIOTAS, donos desta M...de facebook do qual eu faço parte apenas para saber de meus filhos e amigos, porque vocês conseguiram desinventar o tempo que eu tinha antigamente para vê-los. 

Sei muito bem que pra vocês tanto faz. Sei também, que nós sempre fomos, e o pior, sempre seremos o QUINTAL de vocês. De qualquer forma, aqui fica o meu INDIGNADO E NACIONALISTA PROTESTO !!! 

Só uma coisa, PRESTEM MUITA ATENÇÃO NO MOVIMENTO 99% !!! 
Parece que vocês fizeram uma tremenda duma M...e conseguiram criar um QUINTALZÃO, um TREMENDO DUM FAVELÃO aí "mermo", na house de vocês. Te cuida MY BROTHER, vai sujar por aí, podes crer MY BRO !!!


Maurício Porto,

Que nasceu e mora NO Rio de Janeiro e escreveu no facebook este texto acima EM 23 de novembro de 2011.


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

KEITH JARRETT TRIO - I FALL IN LOVE TOO EASILY

KEITH JARRETT -  PARA MIM, 
O MELHOR PIANISTA DO PLANETA TERRA


Enviado por barkofink em 12/06/2011

Recorded Live In Tokyo,July 25,1993 at Open Theatre East

Keith Jarrett (p)
Gary Peacock (b)
Jack DeJohnette (d)


Rio de Janeiro, 28 de novembro de 2011.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

ENNIO MORRICONE DEVIA GOSTAR MUITO DE "I'VE NEVER BEEN IN LOVE BEFORE" DE FRANK LOESSER. SINATRA E CHET BAKER TAMBÉM. SÓ QUE OS DOIS ÚLTIMOS, FORAM EXCELENTES INTÉRPRETES E NÃO COMPOSITORES








Caros leitores,


Ennio Morricone, como todos sabem, é um extraordinário compositor, maestro e arranjador, principalmente de trilhas sonoras de filmes. Eu, como músico e pianista que sou, o admiro profundamente. Por acaso eu estava escrevendo um texto para este blog, que está praticamente pronto e que se intitula: "Santa Cinema Paradiso Teresa". Aí, fui no YuoTube procurar cenas do filme Cinema Paradiso e me deparei com várias, que evidentemente me emocionaram. 
De cara, ao ouvir o início da música ou tema final, matei na hora:
"I've never been in love before". Até a sétima nota a melodia é igual. Na oitava, Morricone, espertamente escapou de um plágio. Como sempre, depois ele arrebenta e o tema é belíssimo. Confesso que me decepcionei um pouco com o Mestre Morricone, mas depois pensei: - Os Deuses também têm direito de errar. Morricone compôs tantas canções maravilhosas que está mais do que perdoado. Afinal o que são sete notas, sete pequenos pecados capitais para quem já fez milhões e milhões de pessoas chorarem, em todos cinemas do mundo, embalados por suas divinas melodias. Inóltre, io sono nipote di italiani.


Maurício Porto
Rio de janeiro 21 de novembro de 2011


Para Ennio Morricone e Giuseppe Tornatore
Para o Cinema Italiano.
   

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

NCO: THE LITTLE TRAIN OF THE CAIPIRA, VILLA-LOBOS




The National Children's Orchestra of Great Britain's Main Orchestra performs Villa-Lobos' The Little Train of the Caipira at The Sage Gateshead on 6 August 2011, conducted by Natalia Luis-Bassa. Produced by Black Swan Film and Video.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

ESFINGES

ILUSTRAÇÃO DIGITAL SOBRE FOTO.
 MAURÍCIO PORTO 2011


















As mulheres me fascinam.
Mais ainda os seus 
indecifráveis silêncios.
Principalmente os de inesperados
olhares longínquos,
que me parecem intermináveis,
mesmo que durem segundos.
Para mim elas sabem 
o mistério da eternidade.
De repente retornam
como se nada tivesse acontecido.
Então imagino, fantasio, 
viajo, me excito, enlouqueço! 
Elas devem ter um secreto poder
de saltarem para uma outra dimensão.
Saltos talvez femininamente quânticos,
que nunca... nunca nos revelarão.
De tão natural talvez nem o saibam,
e se por acaso souberem,
sabiamente, jamais confessarão.
Que assim o seja
para todo o sempre.
Mulheres são esfinges:
- Decifra-me ou te devoro!
Confesso. 
Nunca fiz o menor esforço
para decifrá-las.
Adoro ser por elas devorado!


Maurício Porto
Rio, 15 de novembro de 2011.

Do meu livro - Ladeiras do silêncio