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quinta-feira, 28 de março de 2013

segunda-feira, 25 de março de 2013

TOM JOBIM ERUDITO (1) - "SAUDADE DO BRASIL"

TOM JOBIM

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.



Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=Hf_jFkzvRwM 


PS: Caros leitores, segue o link para um excelente texto sobre Tom Jobim como compositor erudito: O texto é de Daniel Wolff e pode ser lido em: http://www.danielwolff.com.br/arquivos/File/Jobim.htm


terça-feira, 19 de março de 2013

PRECIOSIDADE NO YOUTUBE: TOM JOBIM MOSTRANDO A MÚSICA "PASSARIM", AINDA INACABADA, NUM PROGRAMA DA TV MANCHETE DIRIGIDO POR NELSON PEREIRA DOS SANTOS (1984).

TOM JOBIM, O GÊNIO !!!

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Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=z9HH98woqfwPostagem Sensacional de Pugaman 77 no YouTube !!!

Caros leitores,

fiquem agora com esta versão final e extraordinária de "Passarim", mais uma "Obra-Prima" do "Gênio" Tom Jobim.


  
Fonte: YouTube / http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=P6BihqBdBAA


quinta-feira, 7 de março de 2013

ÍNGREME INSONE / MAURÍCIO PORTO

MINHA ÁUREA LADEIRA EM SANTA TERESA, A RUA ÁUREA.
FOTO / MAURÍCIO PORTO

Íngrime Insone.

Por Maurício Porto,
Rio, 3 de fevereiro de 2013.
(Texto revisto em 07/03/2013).

A noite, parece passar cinicamente devagar.
Lerda, lenta, se fazendo de cansada.
Irritante e bocejante burocrata de plantão.
Na sua soberba ignóbil,
num petrificado balcão de repartição, 
não reparte comigo a minha angústia 
e pressa pelo amanhecer. 

O tempo f
inge que dorme. 
Descaradamente imóvel, 
estático cadáver vivo. 
Posto de Saúde fechado
para os desesperados
agoniados seres
que anseiam pela chegada do dia.
Insones somos.

O silêncio, silenciosa e traiçoeiramente
calou os cães, os grunhidos dos bêbados perdidos,
o batecum interminável das festas vizinhas 
e tudo mais que ouço em noites como esta,
até mesmo os estalos das madeiras desta minha velha casa.

De propósito, tenho absoluta certeza, 
o silêncio para me levar ao desespêro,
emudeceu Santa Teresa.
Beethoven, mesmo surdo, 
se vivo fosse e aqui morasse,
sentiria e perceberia este absurdo, 
esta insanidade e, talvez, 
compusesse uma sinfonia mais bela do que a nona.

Tenho a pressa das manhãs.
Não suporto mais as noites,
íngremes como as minhas ladeiras
que parecem não ter fim.
Tornei-me íngreme, para mim mesmo.
Cansado, demasiadamente fraco,
num guerreiro esforço tento prosseguir.

Então, sóbrio e solene,
sentindo próximo o gosto da derrota
não me dou por vencido e 
numa desesperada alusão a Pirro, proclamo:
- A noite, o tempo e o silencio me invejarão
  quando eu chegar ao fim da minha ladeira.
  A noite, terá sempre o dia como rival.
  O tempo, correrá mediocremente nos relógios.
  O silêncio, não será tão profundo quanto o meu.


Para todos os meus irmãos insones.

PS: Para meus filhos, irmãos, cunhadas e cunhados, sobrinhas e sobrinhos, amigos e leitores: - Não se preocupem, eu estou muito bem de saúde, física e mentalmente. Quem escreveu este texto, na verdade, foi um pedaço meu que já viveu momentos semelhantes, há muitos anos atrás. Não escrevo nada daquilo que não vivi. 


Para Olívia, minha sobrinha queridinha, a bemtevivi ! 

Do meu livro - Ladeiras do Silêncio


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

DESENREDO - SAUDADE DE MINAS / DORI CAYMMI E PAULO CÉSAR PINHEIRO

DORI CAYMMI E PAULO CÉSAR PINHEIRO
    
    Interpretação de Edu Lobo e Dori Caymmi

Maurício Porto,
Rio, 20 fevereiro de 2013.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O LADRÃO DOS MEUS SONHOS


Quem roubou todos os meus sonhos?
Quem terá sido esse canalha?
Quando menos espero o encontro!
Com a cara lavada e deslavada,
me vejo no espelho.

Maurício Porto
Rio, 11 de janeiro de 2013

Do meu livro - "Ladeiras do Silêncio".

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

RETALHOS



Retalhos

De portugueses sou descendente.
Meu sobrenome revela.
De brasileiros sou filho.
Meu nome e sobrenome também o revelam.
José Maurício Ribeiro Porto.
Do Padre, o José Maurício,
tenho em comum, o cristianismo, 
a paixão enlouquecida pela música
e o prazer, segundo contam, de fazer filhos.
Eu, fiz quatro. Ele, dizem as boas línguas,
fez bem mais do que eu.

No Rio de Janeiro nasci, mas
em meus sonhos, lembranças
felicidades e tristezas
e em todos os cantos e recantos do meu ser
muitas vezes está ele, Fernando Pessoa.

Tenho a alegria dos cariocas,
dos brasileiros, mas guardo
bem escondido em meu peito
uma certa melancolia e uma solidão
que, de tanto senti-las,
trato-as como se amigas fossem
e me pergunto se não são elas
retalhos longínquos do meu ser lusitano.

Maurício Porto,
Rio, 21 de abril de 2013.

Do meu livro: Ladeiras do Silêncio
(Modificada em 12 de agosto de 2013).

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

PAPO DE SABIÁS

TOM JOBIM / ILUSTRAÇÃO DIGITAL

As ladeiras como sempre,
sabiamente, permanecem em silêncio.
O casal de sabiás que mora na mangueira
do jardim da minha casa, 
para de cantar e fica quietinho.
Os pássaros da vizinhança,
mesmo os insuportáveis pombos, silenciam.
Os outros passarinhos sabem tudo,
nasceram músicos, eles também emudecem. 
Outros invasores pássaros
que volta e meia por aqui aparecem,
barulhentos, desengonçados,
meio-humanos, maritacas e tucanos,
por pura imitação também calam o bico. 
Todos, todos, silenciam paradinhos
como enfeites de cera pintada 
de árvores de natal de antigamente, 
iluminadas por velinhas,
daquelas fininhas,
coloridas de dezembros. 
Nada de pisca-pisca
de histéricas, neuróticas
e elétricas lampadinhas. 
Eu juro, eles sábios
passarinhos nem piscam, 
somente ouvem o sofisticado 
e encantado piano de Keith Jarrett.
Num quase impossível
silêncio desses naturalmente
iluminados serezinhos voadores
e afinados cantores,
o casal de sabiás se entreolha 
e começa a conversar
baixinho, para os outros não ouvirem.
Falam com os olhinhos apenas,
num inaudível diálogo.
Coisa de passarinho.  
Eu, imóvel, estátua,
quase etéreo, me torno invisível
na porta da varanda da minha casa.
Emocionado pude ouvi-los,
acreditem vocês ou não.

A sabiá disse: - O Maurício parou de tocar
e agora só está ouvindo o Keith Jarrett. 
Que piano bonito, meu Passarinho Deus!

Seu companheiro lembrou: 
- É...faz tempo que ele não ouve 
Tom, Edu, Chico, Villa-Lobos, Pixinguinha, Noel,
Ary, Caymmi, Cartola, Nelson Cavaquinho,
João Gilberto, João Bosco e tantos outros...

- Você até parece que não conhece ele.
Ele adora jazz, mas ele gosta mesmo
é de todos esses e outros que você não citou 
que ele chama de gênios!
Ele é assim...isto é apenas uma fase...
daqui a pouco, fique tranquilo,
ele retoma o seu caminho...
ele é louco pela música brasileira.
Eu também...tô com muita saudade 
de ouvir o Chico e o Tom.

- Pudera, eles fizeram uma
música tão bacana pra você, não é?

- Puxa! você falou igualzinho ao Tom.
Ele gostava de falar "bacana, não é?"

- É...o Tom gostava de falar bacana.
E o Vinícius, hein?...que cara legal!
Às vezes eu penso...
que bom seria para eles humanos,
"Se todos fossem iguais a Vinícius e Tom",
mesmo que impossível, 
mas que ao menos tentassem.
Os humanos deveriam 
ser mais passarinhos
do que humanos...o mundo seria muito melhor.
Chego mesmo a desejar que todos eles
nascessem passarinhos.

A sabiá sorri e corrige o seu companheiro:
- Passarinhos não... Passarim.

Em memória de Tom Jobim,
um dos caras mais bacanas
que nasceram na Terra.
O único ser humano que nasceu Passarim!


Maurício Porto,
Rio de janeiro, 1 de dezembro de 2011.


Do meu livro: Ladeiras do Silêncio



quinta-feira, 17 de novembro de 2011

NCO: THE LITTLE TRAIN OF THE CAIPIRA. HEITOR VILLA-LOBOS

HEITOR VILLA-LOBOS,
O MAIOR COMPOSITOR BRASILEIRO !!!




The National Children's Orchestra of Great Britain's Main Orchestra performs Villa-Lobos' The Little Train of the Caipira at The Sage Gateshead on 6 August 2011, conducted by Natalia Luis-Bassa. Produced by Black Swan Film and Video.


Fonte: YouTube

PS: Cliquem no quadrado no canto inferior direito do vídeo, para ver a imagem ampliada ao máximo.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011

ESFINGES

ILUSTRAÇÃO DIGITAL / MAURÍCIO PORTO
















As mulheres me fascinam.
Mais ainda os seus 
indecifráveis silêncios.
Principalmente os de inesperados
olhares longínquos,
que me parecem intermináveis,
mesmo que durem segundos.
Para mim elas sabem 
o mistério da eternidade.
De repente retornam
como se nada tivesse acontecido.
Então imagino, fantasio, 
viajo, me excito, enlouqueço! 
Elas devem ter um secreto poder
de saltarem para uma outra dimensão.
Saltos talvez femininamente quânticos,
que nunca... nunca nos revelarão.
De tão natural talvez nem o saibam,
e se por acaso souberem,
sabiamente, jamais confessarão.
Que assim o seja
para todo o sempre.
Mulheres são esfinges:
- Decifra-me ou te devoro!
Confesso. 
Nunca fiz o menor esforço
para decifrá-las.
Adoro ser por elas devorado!


Maurício Porto
Rio, 15 de novembro de 2011.

Do meu livro - Ladeiras do silêncio


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

CINEMA ARGENTINO


Do silêncio, solidão, eu saio. Saio. Parto. Volto ao mundo.
Nasço um nascimento. Mais um... Me parto e renasço
com mais vontade de viver. Hoje? Vou ao cinema!
Feliz, feliz da vida! Assim estou e o filme começa,
e a ficha vai lentamente caindo. É um filme argentino
com Darin, é claro. Na platéia me vendo sem nada falar, 
ele me diz: - desista! - Não Darin, respondo. 
Sigo, prossigo, cabrero, confesso: Menino teimoso! 
Diria minha mãe. Insisto. Viro, me reviro na poltrona. 
Minha vida revirada na tela. Tento fugir, não consigo. 
No escuro, um vulto se aproxima. É Gardel! Não acredito! 
Gardel ou o seu fantasma, pouco me importa, 
para mim é Gardel em pessoa. Ele começa a cantar baixinho 
um tango estranho e antigo, esquecido numa vitrola, 
num cassino abandonado em Mar del Plata. 
Desisto, me entrego, entro cada vez mais no filme. 
Gardel me inspira e me vejo cantando um tango silencioso, 
de saudades que não me lembro, tristezas oblíquas
negativos mofados de fotos que nunca revelei. 
Pequenos papéis achados nos perdidos, 
cheios de nomes e telefones de quem esqueci. 
Mulheres que se foram e às vezes voltam, 
em sonhos que me acordam, por saudade ou vingança, 
por mim inventadas e não me deixam dormir sossegado. 
O filme termina. Darin tinha razão. Gardel se afasta 
e me deixa um tango apenas por mim escutado, 
nesta mais uma noite de encontros esperados 
que jamais encontrei. Procuro um rápido abrigo,
uma porta me escolhe, entro e me arrependo, 
mas a noite me empurra. Vozes insuportáveis 
de um infinito barulho, bar lotado, entupido, 
cheio de mesas que falam próximas, que de tão próximas 
me faço íntimo de pessoas que nunca vi. 
Minha privacidade invadida reclama, meu ser cansado, 
o interior falido, concorda. Me vejo cercado de almas 
que bebem felizes e outras, perdidas, desesperadas 
buscam um inesperado encanto nos trôpegos desenganos 
de noites vazias de fim. Meu chopp chega, bebo rápido de ir embora. 
Não dá! desisto. Levanto acampamento, pago, saio, esqueço, 
subo a ladeira de casa. Um vulto se aproxima.
Gardel de novo? Mais um tango? Não, não é Gardel, 
Meu Deus, é Bandeira! Gentil, num silêncio solidário, 
me acompanha ladeira acima até a minha casa.
No meio do caminho, hoje, não tem Drummond e nem a sua pedra. 
Hoje, só tem Bandeira. Chego na porta de casa. O seu silêncio me intriga. 
O que ele faz aqui? Enfim ele se chega, segura meu braço e diz: - Fale, fale... Não me contenho e começo a falar. No início cheio de dedos.
Conto-lhe o filme, o que Darin me disse, Gardel e os tangos,
e os pedaços do pouco que sobrou de mim. Me empolgo, 
falo mais alto, Bandeira me instiga. - Conte, conte mais.
Sua voz também sobe. Minha mulher acorda assustada, 
abre uma janela discretamente. Os vizinhos acendem as luzes, 
os cães ladram, rosnam embriagados de sono.
Pouco me importo, Bandeira, insiste:- Vamos, continue!
Não resisto, num impulso grito em alto e bom som:
- Meu caro Poeta, me desculpe, mas vou-me embora pra Argentina! 
Lá sou amigo de Darin. Lá terei a minha mulher que eu amo 
Na cama que escolherei. Cama? Pra que a cama? Sexo na sala é muito melhor! Pasárgada deve ser muito longe. Buenos Aires, é aqui do lado. 
Três horas de voo. Vou-me embora pra Argentina! Vou ser lanterninha
de um cinema de Buenos Aires! Bandeira solta uma 
estridente gargalhada e como surgiu, desparece.


Para minha eterna solidão.
Para Bety, minha mulher, 
que dela tenta me afastar.
Em memória de Manuel Bandeira, 
Drummond e todos os poetas 
que me fizeram ver 
que a vida é a melhor poesia.
Para Darin e o Cinema Argentino, 
que me fizeram entender, enfim, 
que o cinema e a vida 
são a mesma coisa.
¡Viva el cine argentino!
Obrigado a todos vocês! 


Maurício Porto
Rio, 10 de novembro de 2011.

Do meu livro - Ladeiras do Silêncio




terça-feira, 12 de julho de 2011

SONHEI QUE EU MORAVA NA BARRA

SONHEI QUE EU MORAVA NA BARRA  / ILUSTRAÇÃO DIGITAL / 2007 /
MAURÍCIO PORTO

Caros leitores,


Fiz esta ilustração digital, num dia qualquer de 2007. Logo após concluí-la, a enviei por email para meu irmão Carlos. Dois ou três dias depois, conversando comigo por telefone, ele comentou que havia gostado da ilustração e que só faltava um homem sentado no sofá olhando pro nada, pois assim lembraria Hooper. Respondi-lhe que eu havia pensado nisso mas que preferi mais a ausência do que a presença, pois assim os conhecedores do pintor iriam colocar mentalmente no sofá um solitário e perdido norte-americano da América de Hooper e completar minha proposital citação, feita apenas com a colocação de um móvel para alguém se sentar e ficar admirando o nada.

Em Memória de Edward Hooper,
o pintor que eu mais gosto.

Maurício Porto
Rio, 12 de julho de 2011